Na Primeira Carta de Pedro, lemos: "Santificai o Senhor Jesus Cristo em vossos corações e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir". Aqui você encontra artigos dos diferentes temas da formação cristã e notícias relevantes para sua vivência de fé.
Há doenças que aparecem nos exames; outras, no cansaço do corpo, na febre ou na dor. Mas, existe uma enfermidade mais profunda, que não se mede em laboratório e não se cura com remédios: é a doença de um coração fechado, de uma alma endurecida e de uma vida indiferente. Na linguagem da fé, essa doença se chama pecado.
Quando falamos em pecado, muitas vezes pensamos apenas em situações extremas, como é o caso dos escândalos ou dos erros que chocam a sociedade. No entanto, o pecado não se resume às quedas mais graves. Ele também aparece nas escolhas, nas omissões, na dureza com que tratamos os outros, na indiferença diante do sofrimento, na dificuldade de perdoar, na soberba de quem não admite precisar de Deus.
O Evangelho do 10º Domingo do Tempo Comum nos apresenta Jesus sentado à mesa com cobradores de impostos e pecadores. Para muitos, aquela cena era escandalosa. Os fariseus não conseguiam entender como um mestre poderia se sentar próximo de pessoas consideradas impuras por causa dos costumes religiosos e sociais da época. Para eles, a santidade exigia distância de determinadas pessoas. Porém, para Jesus, a santidade se manifesta como ato de misericórdia.
Cristo não se senta à mesa com os pecadores para aprovar seus erros. Ele não relativiza a moral da época e não desconsidera a necessidade de conversão. Mas ao se aproximar deles, revela que nenhuma vida está definitivamente perdida.
Aqui está uma das grandes entrelinhas do Evangelho: Jesus não alimenta a falsa moralidade de quem se julga justo; Ele não veio para validar a segurança dos que se acham bons; mas, resgatar aqueles que reconhecem necessitar da salvação.
Por isso, Jesus afirma: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12). Este versículo não é uma justificativa para permanecermos no pecado; é, antes, um convite para deixarmos as máscaras caírem. Diante de Deus, não precisamos sustentar aparências.
Os santos nos ensinam que, quanto mais alguém se aproxima de Deus, mais percebe suas falhas e pecados. Isso acontece porque a fé é como uma luz: quando entra em nossa alma, ilumina também aquilo que está adoecido e desordenado. Esta luz não revela nossas misérias para nos humilhar, mas para nos curar.
O pecado, portanto, não deve ser tratado como uma simples quebra de regras. É uma ferida na nossa relação com Deus, com a comunidade, com os outros e conosco mesmos. Essa ferida, quando não é curada, desorganiza nosso coração, enfraquece nossa vida fraterna e nos afasta daquilo que o Senhor deseja para nós.
O Evangelho nos dá esperança: Cristo não se afasta de quem reconhece sua miséria; ao contrário, Ele se aproxima. Este mesmo Cristo que se sentou à mesa dos pecadores continua sentando-se à volta da mesa da nossa vida para nos conceder perdão, conversão e vida nova.
Nesta semana, fica o desafio: reservar algum tempo de silêncio e examinar o próprio coração. Perguntar, com sinceridade: “Senhor, o que precisa ser curado em mim?”
Nas entrelinhas do Evangelho, descobriremos que a santidade não nasce da aparência de perfeição, mas da humildade de quem se reconhece pecador. E quem reconhece essa doença dentro de si, já deu o primeiro passo para ser curado por Cristo.
Padre Érick - Pároco do Santuário Santo Antônio - Estrela/RS
Sugestão de música: Sangue Redentor
Créditos: Padre Érick Lopes