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Na Primeira Carta de Pedro, lemos: "Santificai o Senhor Jesus Cristo em vossos corações e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir". Aqui você encontra artigos dos diferentes temas da formação cristã e notícias relevantes para sua vivência de fé.

Trabalhadores para uma multidão cansada

16 de junho de 2026

Talvez o grande mal do nosso tempo seja o cansaço. Não são poucos os que vivem cansados do trabalho, das responsabilidades diárias, das preocupações e até de esperar que alguma coisa possa mudar. Mas a fadiga mais grave é aquela que se instala no coração e enfraquece a esperança. No Evangelho de domingo, Cristo encontra uma multidão justamente assim: cansada e abatida. E talvez também nós, hoje, façamos parte dela.

O Evangelho nos apresenta Jesus que, ao ver as multidões cansadas e abatidas, sente compaixão delas. Os fariseus, ao contrário, fechavam os olhos diante do sofrimento, das preocupações e das necessidades do povo, deixando-o “como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,36). O erro, porém, não estava apenas em fechar os olhos, mas também na maneira distorcida com que enxergavam a realidade. Os olhos dos fariseus já não conseguiam reconhecer pessoas necessitadas de cuidado; viam apenas os próprios interesses.

Os fariseus não olhavam com desprezo somente para o povo, mas, de modo ainda mais intenso, para o próprio Cristo. Seus ensinamentos e suas atitudes eram considerados blasfemos e contrários ao pensamento das autoridades da época. Cristo, porém, mesmo diante da oposição, não põe limites à sua bondade nem à sua maneira de cuidar. Ele continua abençoando, curando e fazendo o bem.

Aqui pode estar uma das grandes entrelinhas do Evangelho: duas ou mais pessoas podem olhar para a mesma realidade e enxergar coisas completamente diferentes. É o coração que determina, em grande parte, aquilo que os olhos serão capazes de encontrar.

Por isso, Jesus diz: “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,37-38). Ao olhar para as multidões com compaixão, Jesus reconhece a urgência da missão. Contudo, antes de enviar os discípulos, ensina-os a rezar, mostrando que toda missão precisa nascer da comunhão com o dono da messe.

Assim, Jesus nos revela que a missão e, consequentemente, a Igreja não nascem apenas de projetos e planos bem elaborados, mas de um coração unido a Deus e de um olhar compassivo, capaz de enxergar as multidões que continuam cansadas e abatidas, necessitadas de pastores que as conduzam pelo caminho.

Estas palavras também se aplicam à nossa vida pessoal. Ao pronunciá-las, Cristo nos ensina que nem tudo depende de nós. Existem dimensões da vida e situações que ultrapassam nossas forças e somente a confiança em Deus pode nos sustentar.

O Evangelho também mostra que Jesus manda os discípulos rezarem por trabalhadores e, logo depois, transforma aqueles que rezavam nos trabalhadores pedidos. Ao enviá-los, não lhes concede um poder inferior; Cristo lhes comunica a mesma autoridade e missão. Por isso, quem reza, precisa estar preparado para ouvir e, muitas vezes, o próprio nome na resposta de Deus.

Jesus não chama apenas multidões e grupos; Ele chama pessoas. Não escolhe categorias sociais, mas pronuncia o nome de cada um. Assim, compreendemos que a missão não é confiada a uma multidão anônima, mas a pessoas concretas, com histórias, qualidades e limitações. E Ele continua chamando: padres, religiosas, catequistas, ministros da eucaristia, coroinhas, mães e pais, crianças, jovens e idosos. Quem percebe que foi chamado compreende que faz parte da Igreja e participa de sua missão.

Por fim, o Evangelho nos mostra que não podemos ser uma Igreja apenas de espectadores. Somos chamados a ser discípulos missionários: pessoas que não fecham os olhos diante das multidões cansadas, mas procuram contemplá-las com o olhar de Cristo; que cultivam a intimidade com Deus por meio da oração; e que se reconhecem chamadas a transformar o mundo segundo os valores do Reino de Deus.


Padre Érick
Pároco do Santuário Santo Antônio - Estrela/RS