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Na Primeira Carta de Pedro, lemos: "Santificai o Senhor Jesus Cristo em vossos corações e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir". Aqui você encontra artigos dos diferentes temas da formação cristã e notícias relevantes para sua vivência de fé.

Por que Jesus nos ensina a temer sem ter medo?

23 de junho de 2026

O medo é um sentimento que nos acompanha em muitos momentos da vida. Quando crianças, temos medo do escuro; quando jovens, medo de ir mal em uma prova; quando adultos, medo de fracassar ou desapontar aqueles que amamos; e, na velhice, talvez surja o medo da morte. Em certa medida, o medo pode funcionar como um alerta, levando-nos a agir com mais prudência diante dos perigos. No entanto, quando ocupa espaço demais em nosso coração, ele também pode nos paralisar, impedindo-nos de avançar, decidir e confiar.

Justamente sobre este medo que paralisa, Jesus nos fala no Evangelho: “não tenhais medo!”. Ao mesmo tempo, Ele nos ensina a quem devemos temer. À primeira vista, essas palavras podem ser contraditórias, mas não são. Cristo está nos mostrando que existe uma diferença entre o medo e o temor.

 Podemos compreender o medo como a reação diante de algo que percebemos como uma ameaça. Ele nos leva a recuar, a nos proteger e, muitas vezes, nos afastar daquilo que consideramos perigoso. Por isso, Jesus afirma: “não tenhais medo dos homens”; “não tenhais medo daqueles que matam o corpo” e, simplesmente, “não tenhais medo”. O Senhor sabe que o medo pode dominar o coração humano e impedir que vivamos com confiança e liberdade.

O temor, porém, é diferente. Enquanto o medo nos afasta, o temor nos aproxima. Ele nasce não da percepção de uma ameaça, mas do reconhecimento da grandeza de Deus, de sua santidade e do seu amor. É justamente este temor que a Igreja reconhece como um dos dons do Espírito Santo.

Por isso, Jesus nos diz: “temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno”. Ele não apenas corrige os medos que tantas vezes dominam o coração humano, mas nos apresenta o santo temor: uma atitude de reverência que orienta nossos afetos para Deus, reconhecendo que somente Ele tem o poder sobre nossa vida, nossa alma e o nosso destino eterno.

E aqui está uma das grandes entrelinhas deste Evangelho: quem teme a Deus deixa de ser escravo dos medos terrenos. Quando Deus ocupa o lugar central da nossa vida, os demais medos perdem sua força. Eles podem continuar existindo, mas já não são capazes de governar as nossas decisões nem de determinar o rumo da nossa existência.

Talvez o desafio desta semana seja simples: identificar qual é o medo que mais tem governado o nosso coração. O medo da rejeição? Do fracasso? Da doença? Do futuro? Depois, apresentá-lo a Deus em oração e perguntar: "Senhor, estou sendo guiado por esse medo ou pela confiança em Ti?"

Padre Érick

Pároco do Santuário Santo Antônio de Estrela/RS