Na Primeira Carta de Pedro, lemos: "Santificai o Senhor Jesus Cristo em vossos corações e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir". Aqui você encontra artigos dos diferentes temas da formação cristã e notícias relevantes para sua vivência de fé.
Vivemos numa cultura do cancelamento. Basta um erro para que uma pessoa seja rapidamente julgada e reduzida ao pior momento da sua história. Parece que uma falha é suficiente para apagar tudo o que alguém foi ou poderia vir a ser. Numa sociedade assim, que condena com facilidade, vale a pena perguntar: é assim que Deus olha para as pessoas?
A Solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada no último domingo, nos oferece uma resposta surpreendente. As duas grandes colunas da Igreja não foram homens impecáveis, mas pessoas profundamente marcadas por suas fragilidades. Pedro negou Jesus; Paulo perseguiu os cristãos. Ainda assim, Deus confiou a eles a missão de levar adiante a obra começada por Cristo.
Pedro e Paulo não são santos porque nunca pecaram. Eles são santos porque não se permitiram permanecer no erro. Mesmo marcados pelo pecado, abriram espaço para que a graça de Deus transformasse suas vidas. A santidade não consiste em nunca cair, mas em nunca deixar de recomeçar quando Cristo nos chama novamente.
Nas entrelinhas desta solenidade descobrimos uma verdade que muda o nosso modo de olhar para a Igreja e para nós mesmos: Deus não escolhe os perfeitos para realizar a sua obra. Ele transforma pessoas frágeis em instrumentos da sua graça. A fragilidade humana, quando acolhe a ação de Deus, torna-se caminho de santidade.
Assim, percebemos que a lógica de Deus é muito diferente da lógica do mundo. Enquanto a cultura do cancelamento reduz uma pessoa ao seu pior erro, Deus enxerga aquilo que ela ainda pode se tornar pela força da sua graça. Por isso, quis edificar a Igreja a partir de pessoas falhas e frágeis. Não escolheu anjos, que cumpririam perfeitamente a missão recebida, mas homens e mulheres que carregam dores, dramas e frustrações e que, justamente por terem experimentado a misericórdia, pudessem anunciá-la ao mundo.
Aqui repousa o grande desafio que esta solenidade nos provoca: aprender a olhar para as pessoas, e para nós mesmos, como Deus olha. Enquanto nós, muitas vezes, enxergamos só os erros, Deus vê a possibilidade de um novo começo. Se Ele foi capaz de transformar um homem que negou o Cristo e outro que perseguiu seus seguidores, também pode transformar nossa história. Deus não desistiu de Pedro e Paulo e tantos santos ao longo da história, por que insistir na ideia de que um erro pode definir a vida de alguém?
Padre Érick
Pároco do Santuário Santo Antônio de Estrela/RS